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Donos de e-readers acabam por ler três vezes mais do que quem se atém às obras impressas.

09/03/2016

 

Nos laboratórios da Amazon, equipamento simula quedas do Kindle de uma altura de 1 metro, centenas de vezes seguidas, para atestar que o e-reader não quebrará ao cair da mão de um leitor. “Nosso padrão de excelência é o papel. Queremos imitá-lo", diz o inglês Chris Green, vice-presidente de design industrial da Amazon, ao falar de seu trabalho no Lab126, o laboratório da companhia, onde se estuda como os dispositivos eletrônicos estão transformando a forma como lemos e escrevemos na era digital. Ao mesmo tempo em que pronuncia sua máxima, Green exibe um papel em formato A4 na mesa, dobrado como se fosse um envelope. Ao abri-lo, estão lá todos os componentes do mais recente modelo do e-reader da marca Kindle, o Voyage: chips, a bateria, um modem. Explica Green: "A estrutura tem de caber no A4 para nos motivar não só a atingir a finura de um papel, como a simulá-lo. Afinal, é um objeto quase sem peso, durável e adaptável a diferentes tipos de luz e ambiente. Queremos atingir essas mesmas características, adicionando as vantagens proporcionadas pelas novas tecnologias". 

 

Quais seriam os benefícios disso? O principal deles é ter no bolso, em um aparelho de 180 gramas, uma biblioteca digital com capacidade de armazenar milhares de obras.  A obsessão da Amazon é que um dia caibam nele todos os 38 milhões de títulos do acervo da Biblioteca do Congresso americano, a maior do planeta, além de revistas, jornais e outros tipos de conteúdo. Ah, claro - e é mais do que um alento poder ler tudo isso deitado na cama, segurando o aparelho com uma só mão, virando páginas com o polegar e tendo uma luz de tela adaptada para o escuro, para não incomodar alguém que possa estar dormindo bem ali ao lado.

 

Não se trata de sonho. Parte desse futuro já existe no presente. Em outras palavras, o futuro não dura muito tempo. É curioso como a empresa que procura reinventar a leitura também é tida como inimiga mortal por muitas representantes tradicionais do setor livreiro. O grupo francês Hachette e o americano Simon & Schuster chegaram a protagonizar batalhas contra a Amazon, alegando que ela controlaria os preços e repassaria valores irrisórios às editoras por e-book vendido. No fim, ambos tiveram de ceder, e acabaram por firmar acordos com a rival. Hoje, a Amazon reina no mercado, vendendo, por meio de seu site (em meio a vários itens de outros tipos), 40% dos livros físicos comprados nos EUA e dois em cada três e-books.

 

De acordo com estudo da Amazon, donos de e-readers acabam por ler três vezes mais do que quem se atém às obras impressas. Mesmo assim, aposta-se em um futuro no qual os livros físicos e os virtuais conviverão pacificamente.

 

 

Fonte: Revista Veja -  Filipe Vilicic, do Vale do Silício

 

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